terça-feira, 6 de julho de 2010

Soffiati quer um projeto econômico para Campos!



Aristides Soffiati compreendendo a centralidade do modelo econômico na determinação das questões asmbientais e sociais quer um projeto econômico para Campos!
Sem dúvida seria muito importante para toda a nossa população, em especial a excluida de direitos, e para as futuras gerações se nós conseguíssemos criar e implantar um projeto econômico sustentavel e socialmente menos injusto em Campos dos Goytacazes...
Leia abaixo os textos escritos pelo Soffiati:

Folha da Manhã, Campos dos Goytacazes, 20 de junho de 2010
O calcanhar-de-aquiles de Campos (I)
Arthur Soffiati
Em longa entrevista concedida à Folha da Manhã, a prefeita de Campos e seu secretariado trataram de muitas questões superficiais e pontuais. Apenas um aspecto me chamou a atenção: as propostas para o setor econômico, quase equivalentes a nada. Para mim, este é o ponto mais vulnerável de um município que vive das compensações oriundas da exploração do petróleo e do gás natural na plataforma continental. O que a prefeita oferece para sustentar a economia do município quando cessarem os “royalties”? As empresas atraídas pelo dinheiro barato que o Fundo de Desenvolvimento Econômico de Campos (FUNDECAM) oferece, o complexo de estaleiros em Barra do Furado e os efeitos do complexo industrial-portuário do Açu.
Este rascunho de política econômica municipal pode ser rasgado, a meu ver. Não cabe acusar Rosinha e Campos apenas por incompetência e falta de criatividade. Todos os prefeitos de Campos, desde que o município passou a receber royalties (leia-se desde o primeiro mandado de Garotinho) demonstraram profunda incapacidade no emprego desses vultosos recursos financeiros. Em outros municípios ocorre o mesmo. Duas concepções norteiam esta concepção tacanha: 1- só se promove o desenvolvimento por meio de grandes empreendimentos; 2- só estes grandes empreendimentos geram empregos.
Por esta perspectiva, os municípios beneficiários dos royalties mergulharão em profunda estagnação com o fim dos recursos, que pode ocorrer antes do fim do petróleo e do gás. Depois da emenda do deputado federal Ibsen de Oliveira, os Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo e os municípios da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (OMPETRO) entraram em pânico. A destinação misteriosa dos royalties foi substituída pelo uso dos recursos em todas as iniciativas do governo, mediante uma propaganda ostensiva, e por manifestações em defesa das compensações.
Repito que, enquanto ativista do ecologismo, considero a economia o principal campo de investimento dos municípios. De nada adianta investimento em hospitais, postos de saúde, escolas, distribuição de dinheiro para os pobres e suntuosas obras públicas. Há muito tempo, urge montar um sistema econômico que permita a Campos e a outros municípios se sustentarem após o fim dos royalties. Contudo, não aposto em soluções megalomaníacas para substituir os recursos que a Petrobras repassa. Minha proposta é modesta mas tem longo alcance. Ela pode ser resumida nos itens abaixo:
1- Criação de um fundo municipal que recolha os royalties, separando-os das demais fontes de arrecadação municipal e gerido por um conselho municipal paritário, a fim de garantir transparência no seu emprego.
2- Estímulo à formulação de políticas públicas de Estado e de Governo instituídas por lei, norteadas pelo desenvolvimento sustentável nos seus planos ecológico, social, cultural, espacial e econômica.
3- Adoção da política pública de desenvolvimento ecologicamente sustentável por todos os órgãos governamentais do Município de Campos dos Goytacazes.
4- Promoção e priorização do desenvolvimento sustentável endógeno.
5- Apoio à agroecologia e à ecoindústria.
6- Priorização à pequena e à média unidades produtivas rural, industrial e comercial, desde que adotem a política pública de desenvolvimento sustentável.
7- Reformulação do Fundo de Desenvolvimento Econômico de Campos para o financiamento de empreendimentos na linha do desenvolvimento sustentável; pelo menos, criar uma linha de crédito neste sentido.
8- Fomento da produção de bens e serviços essenciais ao ser humano: alimentação, saúde (preventiva em primeiro lugar), educação (toda ela perpassada pela visão da ecoeducação), habitação, vestuário, trabalho, geração de energia, necessidades espirituais e de lazer.
9- Promulgação de lei municipal para disciplinar a aplicação dos royalties do petróleo de modo a construir um sistema econômico sustentável para o período pós-royalties.
10- Formulação dos zoneamentos ecológico-econômico, rural-urbano, edáfico e urbano do município, sempre em consonância com os princípios do desenvolvimento sustentável.
11- Formulação do Plano de Manejo Sustentável dos Recursos Minerais e Biológicos.
Como o espaço acabou, continuaremos na próximo semana, observando que todas as propostas estão na perfeita sintonia com o Plano Diretor Participativo de Campos.


Folha da Manhã, Campos dos Goytacazes, 27 de junho de 2010

O calcanhar-de-aquiles de Campos (final)
Arthur Soffiati
Dando prosseguimento às considerações iniciadas na semana passada acerca da indispensabilidade de um projeto de desenvolvimento econômico para Campos e para a região norte-noroeste fluminense, voltamos à relação de propostas:
12- Existem vários conselhos municipais, embora deixem a desejar muito mais pelo desprezo e pelo desrespeito às suas deliberações do que propriamente pela ação deles em si. O Conselho Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo tem atribuições fortíssimas na administração municipal, mas corre o risco de perdê-las diante da perspectiva de criação do Conselho das Cidades. O Conselho Municipal de Cultura e o Conselho de Preservação do Patrimônio Arquitetônico Municipal demoraram muito a ser revitalizados por uma secretaria que garantiu ser mais sensível que o governo passado. Como os conselhos tocam suas vidas ignorando o que os outros fazem, é pertinente a proposta de criar o Fórum de Conselhos, de modo a promover o intercâmbio entre eles.
13- Pesquisa é outro tema desprezado pelo poder público municipal. Os prefeitos estimulam a pesquisa de forma canhestra. Ao terminar um mandato, os trabalhos produzidos desaparecem. O governo seguinte começa a trabalhar do zero. Não sem razão, meu acervo particular é mais rico que o da prefeitura. Não sem razão, sou tão procurado por pessoas que estão estudando Campos e outros municípios da região.
14- Na esfera do ambiente, contamos com a Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo, pifiamente estruturada. Fiquei impressionado com a política ambiental de Nova Iguaçu, município que, para os forâneos, é considerado dormitório e favelizado. Estamos muito atrasados em relação a ele. Urge a criação do Instituto Municipal de Biodiversidade e Áreas Protegidas – IMBAP, que cuidará da implantação de Unidades de Conservação, da definição de APPs, de Reservas Legais e do levantamento da biodiversidade.
15- Formular um Plano de Proteção aos Ecossistemas Vegetais Nativos com o objetivo de promover o mapeamento dos fragmentos de ecossistemas vegetais nativos, para fins de proteção, instituído por lei. Também instituir por lei o Plano de Proteção aos Ecossistemas Aquáticos Continentais de Campos – PROAGUA, assim como o Plano de Levantamento e de Proteção da Biodiversidade no território municipal.
16- Campos é pobre em unidades de conservação. O município conta apenas com as Áreas de Proteção Ambiental (APA) das Lagoas de Cima e do Lagamar, até hoje sem planos de manejo. A lagoa de Cima sofre pressão da urbanização e o Lagamar foi transformado num local de megaespetáculos. Falta-nos uma lei instituindo o Sistema Municipal de Unidades de Conservação – SMUC. Cabe lembrar a íntima relação de áreas protegidas com áreas de agropecuária.
17- O Plano Diretor de Campos, muitas vezes violado pela prefeitura, prevê a criação do Conselho de Segurança Pública e Defesa Civil. Ele se torna urgente diante do comportamento imprevisível do clima e de outros problemas.
18- Da mesma forma, o Plano Diretor determina a criação do Grupo Técnico Executivo do Plano Diretor. Por meio de correspondência à prefeita, o Conselho Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo solicitou a criação deste grupo para assessorar o poder público. Com ele, certamente, a prefeitura cometeria menos erros, como a criação de um conjunto habitacional às margens da lagoa Maria do Pilar e o Centro de Cultura Popular Osório Peixoto.
19- Embora seja o município maior e mais rico da região, Campos expressa um desprezo solene aos demais municípios. Considera-se um soberano absoluto diante deles, nunca buscando uma integração regional democrática.
20- A OMPETRO (Organização dos Municípios Produtores de Petróleo) não existe enquanto órgão fora das reuniões. Ela só aparece como muro das lamentações para os prefeitos em momentos cruciais. Já passou a hora da OMPETRO se constituir numa organização com vida própria, como uma equipe técnica apartidária para orientar os municípios sobre a aplicação dos royalties, sobretudo no que tange à libertação quanto aos royalties e à construção de uma economia ecodesenvolvimentista.
21- Pesca: no conjunto das propostas, não poderia faltar um destaque para a pesca, tanto a praticada nos ecossistemas nativos quanto na aqüicultura.
Falou aqui uma pessoa que se tomou de amores por esta região desde 1970 e que deseja assistir à passagem de uma economia intensiva em carbono para uma de baixo carbono. De uma economia centrada em grandes empreendimentos para uma de pequenos empreendimentos, embora considerando, no momento, a inevitabilidade dos grandes empreendimentos. De uma economia com patrão para uma sem patrão. De uma economia com a omissão do poder público para uma com a participação ativa do poder público. De uma economia impactante ao trabalhador e ao ambiente para uma economia ecologicamente sustentável.

4 comentários:

João disse...

Professor
Acredito que seja o momento de se tentar agregar todos aqueles que discordam de como Campos foi gerido nos últimos anos e oferecer a sociedade um candidato que represente a mudança e a quebra da continuidade desse grupo, que está no poder a vinte anos. Para que isso ocorra será necessário que os partidos e as pessoas se dispam de suas ambições de grupo ou particulares, para se unirem entorno de uma candidatura democrática, pluripartidária e que represente os reais interesses da sociedade campista.
Alguns irão dizer que o inicio dessa discussão é prematura, porém não é, porque caso o TSE confirme a cassação de Rosinha o tempo determinado, por eles, para a nova eleição, vai ser extremamente curto, o que inviabilizaria a discussão de um nome de consenso, entre a sociedade e as forças que desejam mudanças.
Portanto, acho que todos que defendem uma nova opção para Campos devem sair de suas “áreas de conforto” e iniciarem a discussão de uma candidatura de consenso e suprapartidária.

TEQUILA E AFINS disse...

Campos não só carece de um projeto ambiental associado ao desenvolvimento econõmico, como também de uma política mais transparente e objetiva, q contemple verdadeiramente o progresso, sem comprometer nossa sociedade e nossa cultura.
Abração.

###a.l.#### disse...

Marketing para Unidades de Conservação da Natureza
Primeiras Linhas
Autor: Julis Orácio Felipe
Sinopse:
AS unidades de conservação da natureza são importantes espaços protegidos com a finalidade de resguardar atributos ambientais da exploração indiscriminada e contribuir para o desenvolvimento sustentável. Entretanto, para mantê-las é preciso a criação de mecanismos que as desmistifiquem para a sociedade em geral, que as entende como locais onde nada pode ser feito. Na realidade, se bem direcionadas, podem contribuir não somente para o desenvolvimento sustentável como também para o desenvolvimento social e econômico, principalmente da comunidade de entorno. Essa obra demonstra como pode ser feito sem corromper o sistema jurídico criado para as unidades de conservação, dando aos leitores noções sobre marketing voltado para essas instituições.

www.clubedosautores.com.br

Anônimo disse...

Erik

Os partidos políticos estão se movimentando em torno de uma possível eleição para prefeito de nossa cidade. Cadê o PSOL? Envio abaixo algumas reflexões e seria interessante o PSOL entrar nessa discussão.
Espero que essa iniciativa seja para valer. E que realmente esses dirigentes partidários deixem de pensar em seus interesses particulares ou de seus grupos e pensem na cidade em que nasceram e moram.
Não vamos repetir os mesmos erros do passado, (a 3ª via, por exemplo), em que todos propunham uma proposta em comum e a união dos partidos desde que o candidato a prefeito fosse ele ou o seu companheiro do partido.
Sugiro que esse debate seja levado à sociedade campista, e junto com ela se monte um programa comum a todos (partidos e sociedade) e o nome do possível candidato saia desse fórum. Esse candidato deve estar acima dos partidos e ser uma referencia de integridade e honestidade, além de ter o compromisso com a transparência e de compor o seu governo de acordo com a competência das pessoas e não através de cotas partidárias ou para agradar vereadores adesistas e muito menos a família e a sua patota de puxa-sacos.
Estamos aqui, esperando os próximos passos para ver se esse movimento é sério ou é mais um que surge para tentar ludibriar os incautos e decepcionar os campistas. Torço para que não seja.